quinta-feira, 7 de julho de 2011

A Identidade Pessoal Na Sociedade Espetacular


Vivemos um momento na historia humana em que não sabemos o que somos nem quem são os que convivem com a gente, vivemos uma multidão solitária ou como canta os Racionais - a sociedade e um monstro sem rosto e coração- o que leva o homem moderno a uma grande angustia, como ser ele mesmo, como ter sua própria identidade pessoal, como manter sua originalidade em uma época onde todos parecem ter perdido o sentido de identidade? E uma relação próxima ao episodio onde Jasão e os seus argonautas encontram o ciclope, este pergunta a Jasão qual seu nome e ele responde que seu nome era ninguém, e este ao ter seu olho perfurado por Jasão, grita em desespero, NINGUÉM furou o meu olho, onde seus irmãos não entendendo o pedido não vão ao encontro de seu ente ferido... Ou seja, estamos todos vivendo um período de ciclopes, onde todos são Ninguém, e dentro deste contexto que vamos tentar decifrar os mistérios da identidade pessoal.
A primeira questão que se levanta e a seguinte, pode o passar dos tempos mudar a identidade de uma pessoa a ponto de acharmos que esta pessoa e totalmente diferente daquela que conheci anos atrás? As relações humanas, sempre são pautadas na ideia de inalterabilidade do Eu de uma pessoa, principalmente no casamento, nas relações amorosas e políticas, mas ao longo do tempo sofremos transformações significativas em nossa identidade pessoal, que faz com que sejamos a mesma pessoa no espaço tempo, mas não a mesma no espaço afetivo - social. Os gregos desde a antiguidade se perguntavam o que mesmo com o passar de décadas mantém inalterada na identidade de um SER, que mesmo depois de anos me faz ver que ele e a mesma pessoa que convivi em tempos atrás. Podemos nos perguntar, será que quando uma pessoa sofre mudanças radicais em seu físico e em seu psicológico, ainda continua sendo a, mesma pessoa? Será que não seria por que uma pessoa muda radicalmente ao longo de uma relação que muitos casamentos se desfaçam? Como se tivéssemos casado com outra pessoa totalmente diferente daquela que se encontra ao meu lado, acho que as transformações físicas são tão determinantes na nossa identidade, que as psicológicas são apenas fruto desta mutação, e como se nosso psicológico fosse construído diretamente pela nossa realidade física.
Um outro ponto que podemos analisar e, como os grupos sociais determinam nossa identidade pessoal, pois cada vez que o individuo adere a um determinado grupo social, seja ele religioso, político, esportivo ou esotérico ele termina tendo seu Eu modificado pelos membros do grupo a qual esta se integrando, o que nos faz pensar que nossa identidade pode ser modificada facilmente pelas escolhas sociais que fazemos, mas a questão levantada no inicio do texto ainda não foi respondida, o que nos torna um ser diferente dos outros? Para entendermos esta questão temos que entender os conceitos de identidade numérica e identidade qualitativa. Identidade numérica e o que nos torna único, ou seja, mesmo que você tenha praticado um crime há dez anos passado, e hoje você se encontra totalmente modificado em relação ao período do crime, hoje você esta careca, perdeu um braço,... Mesmo assim o crime não pode ser imputado à outra pessoa, ou não se pode dizer que não foi você só porque a pessoa da foto tinha cabelos e os dois braços, ainda que você tenha se modificado ao longo dos anos ainda assim numericamente você e o mesmo assassino de dez anos atrás. Ou seja, a identidade numérica da noção de EU ao individuo, mas ai se levanta uma questão, o que faz com que o criminoso de dez anos atrás e você sejam a mesma pessoa? Os defensores de uma forma mais teológica de pensar a identidade pessoal defenderiam que e por que a alma que abita você hoje e a mesma alma que estava presente em você no momento do crime. Alma seria a nossa capacidade de sentir de pensar de expressar nossos desejos, por isto nossa alma seria uma das partes que se mantêm inalteradas na nossa identidade pessoal ao longo dos tempos. O sentimento seria fundamental para nossa identidade pessoal, pois ninguém sente a mesma emoção da mesma forma, ou se expressa da mesma maneira, diante da mesma situação, por isto o sentimento seria um ótimo traço para definir a identidade pessoal de alguém. O que nos coloca diante de uma verdade, a igualdade física não seria igualdade de identidade pessoal, pois mesmo que eu tenha a capacidade de criar alguém fisicamente igual a mim, ainda assim se ele não tiver a capacidade de sentir pensar e expressar-se como eu, ele será apenas uma copia mal feita, eis o grande problema dos defensores da clonagem humana, pois ser você mesmo no futuro não significa ser você igual fisicamente, significa além da igualdade física a igualdade psicossocial, e isto não pode ser conseguido apenas manipulando genes.
Uma questão que a muito intriga os pensadores e defensores desta corrente de pensamento e que a alma não seria afetada pelas nossas transformações físicas, será que não seria mesmo? Vejamos como esta questão se coloca na atualidade... Vivemos uma época da busca da forma física perfeita, vivemos a época da maratona pela beleza, e fácil perceber que quando uma pessoa se olha e se acha gorda, ela automaticamente terá seu pensamento e seu Eu alterado, ela passara e fazer de tudo para atingir o peso esperado, sem duvida ela entrara em um estado de angustia ate ter seu objetivo atingindo, ou o contrario uma bailarina que sempre se esteve nas pontas dos pés nos palcos da vida e de repente perde uma de suas pernas, certamente sofrera uma modificação radical no seu Eu, o que prova que a nossa alma e sem dúvida afetada pela nossa realidade física corpórea.
Então podemos perguntar o que e ter identidade pessoal? Esta pergunta e tema de um dos maiores poemas da literatura brasileira, o poema Morte e Vida Severina, de João Cabral, onde o retirante Severino, tenta logo no inicio do poema apresentar sua identidade pessoal ao leitor, mas não tem muito sucesso nesta tentativa, ao final ele percebe que a única maneira dele se apresentar ao leitor e contanto a historia de sua vida, - para que vossas senhorias possam conhecer melhor a historia de minha vida, passo a ser o Severino que em vossa presença emigra- talvez ai o poeta, ou seu personagem tenha percebido que a única e mais perfeita maneira de mostrar nossa identidade pessoal e contando a historia de nossa vida, pois ninguém tem uma historia de vida igual a ninguém, mesmo que alguém tenha vivido o mesmo momento histórico, cada um sentiu o momento de forma diferente, o que demonstra que nossa identidade pessoal pode ser entendida como nossa historia de vida, como marcamos nossos passos na poeira do tempo, pois o nosso caminho natural e exclusivo e único, não tem como ninguém viver o nosso momento histórico, o nosso momento histórico e parte do que nos somos, do que nos fomos e do que nos seremos.
Blog Professor Euzébio Costa

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